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Um grande clarão azulado foi a ultima coisa que viram e caíram no chão inanimados…
Memórias da sua infância surgiram pelo sabor a folhas secas que tinha na boca. Doía-lhe bastante a cabeça, ao ponto de sentir o rugido do sangue a correr nos seus ouvidos e a sua cabeça estalava violentamente de dor.
Olhou à sua volta e viu João e um pouco depois Maria, deitados no frio amontoado de folhas mortas, como se fossem apenas cadáveres devastados pela morte. Correu até ao seu irmão, ergueu-o ligeiramente e abanou-o, numa tentativa de o acordar daquele destino que para André era impossível. Mas, lentamente abriu os olhos, olhando imediatamente para André mas subitamente levou as mãos à sua cabeça.
“Ai que dor!” disse choramingando. “O que foi que aconteceu?”
“Eu só me lembro de tentar disparar contra umas daquelas coisas e depois, um grande clarão. A seguir apenas me lembro de estar estendido no chão…” disse André, esfregando a cabeça e olhando em seu redor.
Quase não havia luz, apenas pequenos feixes vindos da Lua, trespassavam as silhuetas finas das árvores à sua volta. Estavam numa floresta, possivelmente a que era seu destino antes do “pequeno” incidente que tiveram naquela noite.
“Maria?” gritou André com todo o ar dos seus pulmões. O gritou ecoou pela floresta adentro.
Uma pequena silhueta feminina via-se em movimento onde anteriormente estava Maria imóvel. Os seus cabelos castanhos brilhavam com a luz fria da lua e ela parecia cambalear um pouco, como um bêbado no auge da sua bebedeira, mas este caso particular não havia qualquer álcool envolvido. Talvez fosse o que tinha causado a dor de cabeça dos irmãos tivesse deixado Maria naquele estado.
“Estás bem?” perguntou André.
Não obteve qualquer resposta. Correu até ela mas quando os seus olhos os permitiram ver exactamente como a sua amiga estava o seu coração quase explodia num movimento ritmado violento: Maria tinha dois focos de luz esverdeados, de uma cor muito familiar, a saírem da sua face. Estava com a respiração lenta, grotesca e possante, como se não fosse um ser humano naquele frágil corpo.
Aproximou-se lentamente dela mas ela continuou imóvel e aparentemente a definhar, de cabeça pendurada, como se não houvesse quaisquer ossos no pescoço, apenas carne.
“Maria, estás bem??” perguntou André aproximando-se dela. Tocou-lhe no ombro e uma sensação gélida tomou-lhe a palma de mão e todo o seu braço. Ela estava completamente gelada e tesa mas via-se facilmente que ainda estava viva. Um ponto de luz menor, quase imperceptível, surgiu num dos muitos buracos da sua camisola num verde semelhante ao que os seus olhos emanavam. Subitamente, como se de um interruptor se tratasse, Maria cai desamparada nos braços de André, sem quaisquer luzes no seu corpo, completamente inconsciente e apagada. Deitou-a cuidadosamente no chão coberto de folhas e tentou acordá-la mas não foi o que aconteceu. Novamente aquela visão de ela estar morta assolou-lhe a mente e principalmente o coração. Felizmente, uma sensação de ternura, algo que lhe fazia remexer as entranhas e agarrou-se quase com toda a sua força ao corpo inanimado da amiga. Apesar do toque gélido dela, conseguia-se sentir uma leve sensação de calor corporal e havia um pequeno toque ritmado mesmo no fundo do seu peito. Beijou-a simplesmente. Talvez o impulso mais estranho da sua vida mas beijou-a. Um turbilhão de sentimentos surgiram na sua cabeça, no seu coração, no seu estômago! Arrepios saltavam da sua pele e luzes piscavam nos seus olhos fechados e tinhas as suas entranhas no autêntico frenesim de euforia. Mas sentiu alguma coisa a fazer força contra o seu peito: abriu os olhos e viu a sua deusa das suas emoções, acordada e a tentar afasta-lo daquele belo momento de prazer.
“Desculpa-me” disse André afastando-se lentamente de Maria.
Não muito podia-se ouvir João a deliciar-se com a situação soltando gargalhadas asfixiadas de tanto rir.
“Porque é que fizeste isso?” gritou Maria extremamente irritada.
“Tu desmaiaste e eu amparei-te nos meus braços. Desculpa mas estavas linda. Já não sei o que se passa comigo mas não consegui resistir ao impulso. Desculpa-me por favor.” disse André muito envergonhado com ele próprio.
“Eu não gosto nada do que tu me andas a fazer. Começas-me a meter um pouco de medo com essas tuas atitudes.” disse Maria visivelmente zangada e assustada.
Já João tossia de tanto rir olhou à sua volta e reparou que a luz da lua já começava a desaparecer e assim era preciso saírem dali para que os Vultos não os apanhassem.
“Maria, por acaso sabes onde estamos?” perguntou João coçando a cabeça
“Eu não tenho a certeza mas acho que estamos na floresta onde queríamos ir.” disse Maria olhando em seu redor.
Esta 6a parte ainda nao ta completa, ando a escreve la ainda e isto foi o q ja passei para o papel
Digam coisas!
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